Os robôs, o ódio e a República

Introdução

Há alguns dias, meu pai eu e alguns amigos (ainda se preparando) começamos um blog novo. Eu tenho vários outros blogs para os quais escrevo. Com temáticas variadas, nenhum deles aborda a política ou a sociedade, de forma direta.

Em nenhum deles escrevo sobre a minha opinião a respeito da política. Até porque, não me sinto realmente apto a escrever sobre política, apesar de ser um republicano bastante atuante na polis.

Do que vai ser importante

Acho importante começar esse texto esclarecendo isso, não sou especialista e, aliás, não gosto da política como é exercida no Brasil. Apesar de um país republicano e federativo, ou seja, um país em que os direitos, deveres e oportunidades devem seguir os preceitos republicanos, tendemos a um comportamento político eleitoral tipicamente latino americano.

Sobre tumbas e heróis

Trazida da velha política latino-européia, essa visão de política eleitoral preza por indivíduos e não por políticas representadas em propostas ou projetos partidários. Em outras palavras, um sujeito se destaca na mídia e na aceitação popular, posiciona-se ou é posicionado como mártir/herói e, a essa pessoa, são atribuídos todos os poderes para se alcançar o sonho nacionalista de uma grande nação.

Exatamente o oposto do que se espera de um país republicano.

A República – leia com atenção

O conceito de republica traz em si três preceitos básicos:

1 – a ausência do autoritarismo –

Não é a ausência de autoridade legal ou vigente. Mas sim a liberdade de escolha individual nos exercícios políticos dentro da polis. Ou seja, cada um é livre para viver e pregar suas escolhas, desde que elas respeitem a autoridade das leis comuns e não fira a liberdade do próximo, subjulgando-o de alguma forma.

2 – a igualdade –

Esse preceito republicanos é lindo. Ele nos diz que em um estado republicanos de direito, todos somos iguais. Veja a Alemanha como exemplo, apenas a Presidente Angela Merkel e o presidente do Supremo Tribunal Federal estão acima da justiça comum. Todos os outros memebros do parlamento ou da socidedade estão em pés de igualdade.

Mas esse preceito de igualdade não é apenas sobre os privilégios, mas sobre os diretos e sobre os deveres. Ou seja, as responsabilidades consigo mesmo e com a Res Pública, com aquilo que é bem público, o bem-comum.

3 – o cuidado com o próximo –

Como todos temos direitos iguais, cabe a sociedade (ao conjunto dos associados sob a égide da república) garantir que os direitos atinjam a todos, portanto, evitar o autoritarismo do mais forte e impoulsionar os exercícios democráticos dos mais fracos.

Podemos traduzir de forma simples: evitar a tirania do governo ou de grupos maioritários ou minoritários e investir em educação para que as crianças, quando adultas, possam cumprir com seus exercícios democráticos.

A República

Portanto, república não representa um projeto econômico de governo ou de país, não é um conceito de esquerda ou de direita, nem comunista, nem capitalista, nem liberal, nem ordo-liberal. A república é o princípio básico de um governo, ou um projeto de país, construído por todos.

O início

Desde de 2014 vive-se no Brasil um embate democrático. Trazido à tona pela luta contra a corrupção, esse debate pois a baixo um modelo de estado e, nas últimas eleições implantou um novo modelo. Não vou julgar ou exprimir minhas opiniões sobre esses fatos.

Mas, o debate democrático que, inicialmente, teve como base a ida as ruas de milhões de pessoas exercendo o exercicio lindo e belo da expressão de suas ideias acabopu nas vesperas das últimas eleições.

Aquilo que era uma flor…

Quando em 2014, trocavamos ideias pelas redes sociais, ideias divergentes eras aceitas,entenda, não eram concideradas certas ou erradas, mas sua expressão no ambiente social, no ambiente da polis, era aceita. O “CALE A BOCA” estava presente.

A partir da campanha eleitoral de 2018, dois grupos diferentes de autoritarismos surgiram. Apelidei de forma ilustrativa um deles de #lulalivre e o outro de #todoscombolsanaro. Esses dois grupos passaram comentar postagens no Instagram, Facebook e Twitter.

o ataque

De esses comentários já eram agressivos e autoritários. Traziam em si o ódio que emana da vontade do controle sobre a opinião livre e alheia. Mas aconteciam em páginas apropriadas, como as de jornais, revistas ou pessoas públicas da vida política. Também traziam algum conteúdo de argumentação.

As vezes um pouco menos do que uma frase, as vezes um grande texto dividido em três ou quatro comentários. Mas, mesmo com o ódio, o autoritarismo e a agressividade, traziam algum conteúdo.

Esse cometários, mais próximo da eleição e até a posse do Exc. Presidente, transformaram-se em veradeeiros discursos de ódio de ambos os lados. Cresceram e transformaram-se em grupos robotizados (literalmente perfís falsos nas redes sócias, usado exclusivamente para viralizar alguma informação ou ocupar o espaço socio-virtual) ou em grupos de pessoas organizadas nesse sentido: odiar, denegrir, ofender, ivadir e ocupar.

Grupos autoritários.

Desde que começamos esse blog, no dia 29 de abril de 2020, temos nos deparado com exatamente essa questão. Queremos e propomos com o nome “Os Republicanos” fomentar o debate em termos de igualdade e, muitas vezes, sem que haja a leitura do texto anexo ao post, grupos robóticos ou humanos respondem de forma automática com suas hashtags sem ao menos algum conteúdo que permita a democratização da discussão.

Outra questão que me choca é como o conceito de república é distorcido quando usado por esses grupos como uma associação à direita ou a esquerda, mais comumente à direita, apropriando-se de um evento histórico nacional que foi a “república de Curitiba”. Assiciando a imagem da Lava-Jato à uma representação políca-social, ao invés de de uma ação polícial e da justiça.

RFB

A República Federativa do Brasil (RFB), ou seja, o espaço público de direito iguais e poder centralizado na federação (Governo Federal), precisa hoje, tanto quanto sempre, parar de procurar, eleger, idolatrar e defender figuras públicas como sendo emblemáticas. A RFB precisa aprender com países como a França, a Itália e a Espanha que políticos são descartáveis e figuras públicas são sempre populistas e nacionalistas, ou seja, anti-republicanas.

Mas, vamos discutindo as coisas aos poucos.

Minha recomendação é que se use menos # atumáticas nessas dicussões, pois quando fazemos as buscas, elas nos levam a comentários vazios ou autoritários.

Raul de Freitas Buchi

Os Republicanos

Uma Leitura interessante:

https://jus.com.br/artigos/22292/do-republicanismo-classico-ao-neorepublicanismo